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Pesquisa mostra como a zika afeta a vida das mulheres
Mundo - 04/07/2018

Embora tenha havido grande preocupação com os aspectos biomédicos, pouco tem sido discutido sobre os aspectos psicológicos e sociais

Pesquisa mostra como a zika afeta a vida das mulheres

Um fardo silencioso e pesado para as mulheres. É assim que um estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), avalia o impacto social da epidemia de zika na vida familiar das mulheres no Brasil, Porto Rico e Estados Unidos.

Segundo os pesquisadores, as mulheres estão lidando com sentimentos de medo, desamparo e incerteza ao tomarem precauções drásticas para evitar uma infecção que afeta todas as áreas de suas vidas. Para eles, as estratégias de enfrentamento envolvem obstáculos na vida profissional, levam ao isolamento social, inclusive em relação à família e ao companheiro e ameaçam o bem-estar emocional e físico das mulheres.

Para o estudo, foram recrutadas 18 mulheres, entre 22 e 41 anos, residentes em diferentes localidades do Brasil, Porto Rico e EUA e que eram de etnia brasileira, hispânica e norte-americana. Havia nove participantes que passaram por gravidez recente ou estavam grávidas no momento da entrevista, enquanto havia quatro que planejavam engravidar e três que não queriam engravidar, mas viviam em locais afetados pelo zika. As entrevistas foram realizadas entre outubro de 2016 e junho de 2017 em inglês, português e espanhol.

De acordo com o artigo A vida das mulheres na era do zika: vidas controladas por mosquitos?, publicado em maio pelo Cadernos de Saúde Pública, a infecção pelo vírus zika, durante a gravidez, é causa de anomalias congênitas do sistema nervoso central do feto. As graves consequências gestacionais fizeram com que governos nacionais e agências internacionais emitissem conselhos e recomendações para as mulheres.

O artigo ainda informa que a vida familiar dos entrevistados também foi afetada. Eles relataram repetidamente que se sentiam isolados de seus parceiros, filhos, pais, parentes e famílias extensas. A eliminação de atividades de lazer, como atividades sociais e atividades ao ar livre, também contribuiu para o isolamento social. Relatos de perturbações em sua vida social e rotinas diárias eram temas comuns.

Outra observação relatada pelos pesquisadores é que os participantes começaram a usar repelentes de forma constante e mudaram seus hábitos vestindo mangas compridas e sapatos fechados, entre outros, o que causou desconforto. No nível profissional, as mulheres colocavam suas carreiras em risco, abrindo mão de oportunidades de crescimento, como participar de reuniões e viagens relacionadas ao trabalho. Elas também se sentiam isoladas dos colegas porque tentavam trabalhar em casa ou mudavam de profissão devido ao medo de se expor à zika. Os efeitos sobre a vida sexual e reprodutiva incluem a renúncia à gravidez ou o adiamento de sua decisão à maternidade e, em alguns casos, à abstinência sexual como forma de proteção, acrescentam os autores do artigo.

Embora tenha havido grande preocupação com os aspectos biomédicos da doença, pouco tem sido discutido sobre os aspectos psicológicos, sociais e éticos da epidemia, e poucos estudos foram realizados para abordar os efeitos ameaçadores da zika no cotidiano das mulheres em todo o mundo ou suas repercussões sociais. Além disso, as percepções da vida real de como as mulheres estão lidando psicologicamente e emocionalmente com o surto ainda precisam ser documentadas. Daí, os pesquisadores concluem que é importante a investigação sobre como o surto de zika afeta a vida das mulheres.

Leia aqui o artigo A vida das mulheres na era do zika: vidas controladas por mosquitos?


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